A terceira palestra da CIRS 2010, ministrada nesta quinta-feira (11), às 15h teve como tema os sistemas socio-educativos em rede. Estavam presentes Augusto de Franco, José Fares, José Pacheco e Luis Fernando Guggenberger.
O atual diretor-superintendente do SESI-PR, José Fares iniciou o debate se posicionando a respeito da atual configuração da escola brasileira. Segundo ele, há uma tendência em destinar a esta instituição e aos professores toda a responsabilidade pela educação dos alunos. “É uma pressão muito grande para os educadores”, afirma. De acordo com ele, a escola precisa rever sua posição e o seu papel na sociedade.
Inspirado nesta idéia, o SESI-PR criou um projeto que pode alterar substancialmente a configuração da escola. A idéia é fazer com que elas tenham o hábito de trazer aos alunos informações que tenham a ver com a vivência deles. Ou seja, é preciso aplicar o que ele chama de arranjos educativos locais (AEL) – são clusters de aprendizagem ou aglomerados locais de pessoas e organizações que se formam criando ambientes favoráveis às interações educativas.
De acordo com Fares, muitas vezes os alunos entram na escola e não sabem nem o que estão fazendo ali”, diz. É preciso, portanto, criar agendas locais de estudo e tentar relacionar ao máximo os conteúdos programáticos com experiências da localidade para que os alunos entendam onde podem aplicar determinado conhecimento. Os professores tem que vencer um grande obstáculo neste sentido que é passar por cima de paradigmas já consolidados.
O educador português, José Pacheco, também defende os AEL e ainda afirma que eles podem ser os responsáveis pela mudança estrutural da sociedade. Pacheco salienta, no entanto, que o Brasil é um país que tem o costume de copiar as culturas estrangeiras. Ele alerta que isto é muito prejudicial para o desenvolvimento da escola. Assim, cria-se uma nova possibilidade de trabalho nos AEL: trazer de volta a conexão com a cultura local.
Os palestrantes finalizaram o debate afirmando que já existem bons exemplos de escolas brasileiras que trabalham com esta idéia de aprendizagem em rede, porém ainda há muito o que fazer.
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