Nas últimas semanas, com o lançamento do iPad da Apple, os editores de livros pensaram ter sua sentença de morte anunciada, enquanto as agências podem ter conseguido uma nova oportunidade no mercado de conteúdo. É o que afirma Phil Johnson, CEO da PJA Advertising & Marketing.
Johnson acredita que o iPad é a aposta da Apple para o futuro dos livros, jornais e revistas, pois eles podem fazer para o conteúdo textual o mesmo que fizeram para a música com o iTunes. Qualquer tipo de comunicação escrita ficará mais fácil de ser adquirida e de ser consumida numa bela tela de 9.7 polegadas. A Apple acredita que isso poderá criar um mercado totalmente novo para livros e publicações com sua livraria online.
O iPad é um passo importante porque cria um novo canal de compartilhamento de conteúdo com o público consumidor, e sendo uma ferramenta multimídia, pode encorajar a leitura. Assim como o iTunes criou um canal de distribuição para conteúdo em áudio e podcasts, a livraria virtual da Apple poderá criar um canal de conteúdo textual, como o Branded Content.
A grande novidade é que o iPad pode revolucionar a relação que temos hoje com livros, já iniciada por outros leitores de e-books. Mesmo os mais céticos devem se inclinar à ideia de ter uma livraria inteira nas mãos, e o problema das vendas pode ser solucionado pela loja virtual da Apple. O iPad deve revolucionar o conceito de e-book, agora com a possibilidade de uma experiência multimídia.
Será possível incorporar vídeos, criar links e introduzir interatividade, por exemplo: livros de arte podem levar ao leitor a museus e livros de história podem levá-lo aos locais sobre os quais lê. Também poderá ser possível interatividade entre leitores, com autores e editores. O jornal mágico interativo de Harry Potter, o Profeta Diário, pode estar mais próximo da realidade do que imaginamos.
O Digital Broadcasting Group (DBG) publicou recentemente uma pesquisa mostrando a relação de efetividade entre vídeos com Branded Content e vídeos com anúncios comuns. O estudo mostrou que os usuários assistem e interagem significativamente mais com o Branded Content do que com o anúncios curtos, semelhantes aos mostrados em televisão, com 30 ou 60 segundos.
A pesquisa analisou as diferenças entre os dois tipos de vídeo com foco em dois tipos de dados: a taxa de interação e o tempo médio de exposição. Os vídeos com formato mais longo, os com Branded Content tiveram uma média de 9% de taxa de interação, enquanto os vídeos de formato mais curto tiveram uma média de 3%. O tempo de exposição dos vídeos de formato mais longo foi em média de 63 segundos, enquanto para os vídeos de formato curto o tempo médio foi de 34 segundos. Ou seja, os usuários interagem mais com Branded Content e assistem esses vídeos durante mais tempo.
AJ Vernet, presidente de vendas e Marketing do Digital Broadcasting Group, explica que, mesmo não se tornando um viral, um vídeo na internet pode fazer sucesso se o anunciante pensar em criar um conteúdo de qualidade, acima de tudo. “Os anunciantes devem começar a pensar fora da caixa, e dizer ‘como eu associo a minha marca a um conteúdo interessante?’”, esclarece Vernet, em entrevista à WebProNews.
Um exemplo de Branded Content em vídeo é a campanha “Green Done Right”, realizada pelo Digital Broadcasting Group para a marcaScott Naturals.
A campanha procura associar a marca de papel higiênico, lenços e toalhas descartáveis à ideias de colaboração com o meio ambiente.
A tecnologia e as novas formas de consumo de conteúdo que ela possibilita exercem uma influência incontestável sobre a atuação dos profissionais de Comunicação. Nossa atividade não é mais regida pela lógica do jornalismo tradicional de redação. E hoje, além dos usuários ativos que produzem muito conteúdo e saem distribuindo através de diversas plataformas, nós, comunicadores por formação, estamos disputando mercado com profissionais de outras áreas.
E para comentar sobre esse assunto que deixa muita gente por aí de cabelo em pé, conversamos com o prestigiado Bruno Rodrigues, Consultor de Informação e Comunicação Digital e autor de Webwriting – Redação & Informação para a Web, cuja nova edição está prevista para sair em breve. Em um papo rápido, Bruno coloca sua opinião sobre como se deve produzir conteúdo atualmente e apresenta suas expectativas para o futuro da Comunicação na Era Digital.
Como as novas formas de consumo de conteúdo influenciam na maneira de produzir?
Hoje, pensar e produzir conteúdo é criar materiais que não criem amarras com uma mídia específica, mas que ao mesmo tempo seja possível trabalhá-los em várias plataformas. É o que chamo de ‘conteúdo totalflex’. Nunca, no processo de criação de conteúdo, houve tanta necessidade de aliar imaginação e conhecimento às limitações e possibilidades tecnológicas. É uma tarefa que, obviamente, não é para qualquer um.
Com base nas mudanças na distribuição e produção de conteúdo, quais as suas expectativas para a Comunicação e para a atuação dos profissionais da área?
Os profissionais desta área estão próximos da desvantagem. Como este mercado supervaloriza a prática, o conhecimento é visto como necessidade secundária. Por isso, profissionais de outras áreas e que se fiam mais pelo que aprendem na Academia, como bibliotecários, analistas de sistemas e engenheiros, estão preenchendo vagas que poderiam ser de jornalistas e publicitários. Mas o jogo nem está na metade – ainda dá tempo para virar o placar.